Ser ou não ser... 04/22/2012
As duas declarações políticas produzidas pelo MPLA e a UNITA para assinalar o 10º aniversário da paz definitiva apenas são convergentes na constatação de que o país vive há dez anos sem guerra e mesmo assim o Galo Negro diverge ao considerar que em Cabinda existe "uma guerra de baixa intensidade entre o Governo de Angola e a FLEC, com interminável cortejo de mortes, desaparecimentos e detenções". Ao ler-se os dois textos, a sensação com que se fica é que existem duas Angolas distintas que coabitam no mesmo espaço geográfico, com velocidades completamente desiguais. Será possível termos um país assim, tão tão diferente e tão contraditório? Será possível fazerem-se leituras da mesma realidade tão antagónicas, mesmo entre adversários políticos de longa data que já se odiaram de morte e agora detestam-se visceralmente? Mesmo admitindo que na política os discursos da situação e da oposição são sempre conflituantes por razões de estratégia, estas duas declarações falam de facto e de jure de países diferentes, o que nos deixa, enquanto jornalistas, sem saber bem por onde ir e o que dizer. Ser ou não ser (verdade), eis a questão? No famoso poema de Shakespeare, Hammlet interroga-se: "Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre/ Em nosso espírito sofrer pedras e setas/Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,/Ou insurgir-nos contra um mar de provocações/ E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais;" Mesmo estando nós em ano de eleições, a verdade mantém-se um objectivo a alcançar na agenda da honestidade intelectual, que é um valor inalterável que mesmo a política não devia prescindir. Se alguém que não conhecesse a realidade angolana, lhe fosse dado a ler os dois textos suprimindo-lhe as referências a Angola, a pessoa em causa não teria muitas dúvidas em chegar a conclusão que uma coisa não tem nada a ver com a outra e que, portanto, são alusões feitas a dois países diferentes. Para "facilitar" as coisas diríamos que nas duas declarações há verdades que nos aproximam de um país real chamado Angola, ficando, contudo, muito difícil fazer um país juntando as duas partes. Então o que teremos assim, se o país continua a existir com as duas partes juntas? Restará saber como é que os angolanos encaram o país, o que em política/democracias representativas, com todas as grandes limitações deste exercício, só é possível saber "através" das eleições, se elas forem realmente livres, justas e transparentes, para quem ainda acredita nesta possibilidade nas condições concretas de Angola. Como já tive em 2008, mantenho as minhas, muitas, dúvidas a este respeito, pois não é possível atingir um tal desiderato se desde logo a pré-campanha eleitoral é feita apenas pelo partido da situação e o seu candidato. Tenho muitas dúvidas se desde logo mais de 90% da média existente no país só veicula a posição de um dos contendores e recusa abrir os seus espaços ao debate contraditório de ideias. Tenho muitas dúvidas se vivemos num país onde a televisão que é de todos nós está há mais de seis anos sem entrevistar o líder da maior partido da oposição e nunca fez até agora uma única entrevista de fundo com o Presidente que nos governa há mais de 32 anos. Disse, sublinho, uma entrevista de fundo. Tenho muitas dúvidas a respeito de muito mais coisas o que só prova uma coisa que ninguém me pode desmentir quer (não) concorde comigo ou "sem-migo": Vivo em Angola, e é de Angola que falo, dez anos depois das armas se terem calado... Reginaldo Silva 1 Comment A Desintegração da UNITA? 04/16/2012
O abandono de Abel Chivukuvuku não constituiu propriamente uma surpresa, já existiam vários indícios sobre a sua ruptura com as linhas orientadoras da UNITA. As suas divergências eram manifestas e inconciliáveis. A saída de Abel Chivukuvuku poderá ter um efeito de arrastamento noutros quadros proeminentes da UNITA e provocar uma hemorragia política no seio do partido, principalmente, se o novo projecto político de Abel Chivukuvuku tiver consistência e for mobilizador. A posição actual da UNITA, já era frágil, devido a preponderância política avassaladora do MPLA no contexto político angolano, com uma maioria absoluta de 80%, a margem de actuação do principal partido da oposição era diminuta e extremamente difícil. Nesta nova Era, a UNITA teve dificuldade em reinventar-se, viveu demasiado presa a um passado que estigmatiza em excesso o partido no presente, não acho que o partido deva renegar o seu legado, mas deve centrar-se no futuro. O futuro são os problemas e as carências da população, definir um modelo de desenvolvimento para o país e uma orientação política adequada. A ausência, a inercia, a resistência à mudança, possivelmente, motivaram a decisão de Abel Chivukuvuku, em iniciar um projecto político sem o peso do passado e orientado para o futuro. É difícil determinar o impacto desta saída na UNITA, mas parece claro, que é uma decisão que beneficia o MPLA, porque parte da premissa, dividir para reinar. Pode existir uma fragmentação e dispersão do eleitorado da UNITA, algo que penaliza o partido. O dilema dos dirigentes da UNITA é determinar a sua amplitude e o seu impacto. Registo a normalidade democrática em todo o processo, revelador de maturidade política, principalmente, num momento de extrema dificuldade para o partido, também saliento a normalidade institucional do principal partido da oposição em relação ao partido no poder. Um trajecto difícil de traçar, a credibilidade nunca se alcançou numa questão de dias. Penso que a UNITA deve ter consciência que estamos num outro tempo, a política faz-se de outra forma, tem uma componente cada vez mais profissional, utiliza novos conceitos, o marketing político é um lugar comum, saber gerir a imagem e saber comunicar a mensagem são factores chave. O conteúdo político, económico e social também não pode ser descurado, principalmente, para quem faz oposição. Por isso, fiquei surpreso, quando consultei o Google, com o intuito de saber, se a UNITA tinha um site na internet, para minha surpresa tem, mas pude constatar que ele apenas existe desde 2012, segundo a data expressa no copyright. Um pouco tarde, ninguém espera por ninguém, Abel também não esperou. Pedro Van-Dúnem A CASA que os Angolanos precisavam 04/14/2012
O Dr. Abel Chivukuvuku, apresentou hoje em Luanda uma estratégia política que garante aos angolanos, um teto que os protejam dos abusos do poder instituído na cidade alta, umas paredes de forma que os cidadãos se sintam seguros na sociedade e uns alicerces assentes na Democracia e no Estado de Direito. “CASA -, a nossa casa comum , cujos componentes, buscam a realização de uma vida nova para Angola e para os angolanos.” – cito Chivukuvuku. A convergência ampla dos cidadãos contra o despotismo do partido da situação, a ser derrubado eleitoralmente nas próximas eleições, vai ser a salvação de Angola. Não vai ser um partido isolado, ou uma coligação, que consegue uma vitória eleitoral em Angola. Só uma convergência ampla da oposição pode provocar a mudança no poder em Angola e com isso, facultar aos Angolanos a dignidade e a esperança numa vida melhor para si e para as futuras gerações. “Concidadãos, é chegada a hora de nos posicionarmos e de mãos dadas darmos o nosso melhor contributo para tornar esta Angola a Terra dos nossos sonhos.” – cito Chivukuvuku. É hora de refletirmos sobre a prevalência dos nossos interesses individuais em detrimento do bem estar de todos os angolanos ou convergir-mos, para um objectivo comum e amplo, para salvar-mos a Pátria da ditadura, que só irá persistir, se não tivermos a vontade de mudar e reconstruir uma Nação, onde a vida tem valor, a família tem valor, o trabalho é valorizado, a habitação, a saúde, a educação, o combate a pobreza são prioridades nacionais a serem cumpridas, e não meras promessas eleitorais. Temos que confrontar a nomenklatura reinante em Luanda, com a realidade revolucionária dos jovens, que se manifestam contra a tirania, com as necessidades das mulheres, dos desempregados, apoiando a iniciativa empresarial geradora de riqueza e emprego, para uma melhor redistribuição dos proveitos fiscais e da produção nacional no seu todo. A proatividade dos políticos nacionais é uma exigência dos angolanos, que vêm na CASA, um movimento dinâmico e agregador do povo com os seus dirigentes, que vise a satisfação das necessidades elementares dos cidadãos. Assim, reafirmo: TUDO POR ANGOLA E UMA ANGOLA PARA TODOS. Carlos Lopes O exemplo brasileiro 03/26/2012
Em Angola copiamos muita coisa que vem do Brasil, incluindo o sotaque e o “português mal falado” dos seus mais de 100 milhões de habitantes. O que não copiamos, sobretudo ao nível das instituições que integram o aparelho governativo angolano, são as boas práticas de gestão da coisa pública que já vão fazendo escola no Brasil de Lula e de Dilma, a marcar uma diferença substancial com o passado recente daquele gigante latino-americano. Como estamos em ano de eleições e por que, de facto, são mais do que muitos os reparos que estão a ser feitos ao desempenho das entidades que exercem o poder público em Angola no seu relacionamento com os partidos políticos concorrentes, gostaríamos de salientar que a legislação eleitoral brasileira não permite a nossa “confusão”, que é total e absoluta. As normas de conduta brasileiras são completamente alérgicas à forma como está a ser praticado entre nós o “desporto” eleitoral. Os brasileiros sabem, por exemplo, que “durante a campanha, está proibida a propaganda institucional ou oficial. Entende-se que nem a autorização, nem a própria propaganda podem ocorrer nesse período”. Os brasileiros sabem ainda que está igualmente proibida “a distribuição gratuita de bens e serviços públicos em beneficio de candidato em ano de eleição; não se proíbe a distribuição regular de bens e serviços (merenda escolar, livros didácticos, campanha do leite, vacinações, assistência judiciária gratuita, etc), mas sim o uso promocional e político. Os brasileiros sabem tudo isto e muito mais em nome de um bem jurídico-constitucional altamente protegido que é “a igualdade na eleição” e que teve como consequência a definição de um conjunto de condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral. Tais condutas são actos bem definidos na lei e que se caracterizam pelo abuso do poder político, pela exploração da máquina administrativa ou de recursos estatais em proveito de uma candidatura. Importa referir que o nosso Código de Conduta Eleitoral também tem disposições suficientes (embora muito genéricas) para fazer face ao “caos” que se instalou nas nossas bandas. Em 2008, recorde-se, no centro das atenções esteve o activo e decisivo papel desempenhado na campanha eleitoral pelo Presidente da República a favor do partido da situação a par das mega-toneladas de propaganda institucional do governo, complementado pela “cobertura jornalística” dos médias estatais, num verdadeiro golpe de misericórdia contra a oposição. Reginaldo Silva Que se passa na Rádio Ecclésia? 03/25/2012
Há dias li nas páginas sociais, assim aqui e aqui, que Nelson “Bonavena” Pestana, analista político, docente e investigador da UCAN e dirigente do Bloco Democrático, e Kalamata Numa, secretário-geral da UNITA e deputado nacional, teriam sido censurados pelo novo director-geral da Emissora Católica de Angola “Rádio Ecclésia” (ECA), Quintino Kandandji. Em causa duas notícias do Magazine da Rádio Diocesana de Benguela, um espaço de informação generalista produzido pela aquela emissora católica emitida, em regra, todas as segundas, entre às 9 e 10 horas na Ecclésia. A primeira notícia reportava-se e informava sobre o debate, em Benguela, promovido pela ONG “Omunga” e ao espaço cívico “Quintas de debate” onde o analista Nelson Pestana proferiu um tema sob o título “A intolerância política em Angola e suas implicações”, que teve como orador, o docente universitário e político. A outra notícia informava que Numa, enquanto deputado e dirigente da UNITA, num comício no Cubal, província de Benguela, saudou os 46 anos da fundação da UNITA. O caso, já de si inquietante porque há uma clara e manifesta atitude de censura, torna-se mais preocupante os dois criticaram – um direito a que assiste qualquer cidadão, desde que feito dentro dos limites naturais de respeito – o presidente da República, José Eduardo dos Santos. Do que sei estavam em causa os ataques que os manifestantes sofreram sob o olhar, no imediato, pouco interventivo, das autoridades. É incompreensível que uma das primeiras medidas do novo director-geral da ECA-Ecclésia tenha sido uma dupla e ininteligível censura. Mas se tivermos em conta o que reporta o Semanário Angolense, na sua última edição (458, de 24/Março/2012, p.6), parece-me que este nova personalidade não estará a fazer muito bem a um órgão informativo que mais credibilidade tinha junto da população luandense – o Poder continua a cercear as emissões da ECA para a cidade de Luanda. Segundo aquele semanário, pela pena de Romão Brandão, no passado dia 19 de Março pp., dia do 15º aniversário da reabertura do sinal da ECA, devido ao encerramento que tinha sido objecto pelo anterior regime nacional, o que aconteceu (acontece) é um clima de crispação entre os jornalistas e outros funcionários devido, segundo aquela fonte, a um anormal chapéu censório – que parece ter sido mais efectivo após a visita da Ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira – e a um reduzido quadro remuneratório que, esperavam, viesse a aumentar e não se verifica. Acresce a isso, o facto da ECA ter acabado com alguns dos programas desportivos, substituindo-os por música de fundo, ou suspendendo com os programas directos e só emitindo-os após gravação. Como se o ambiente já não fosse dos mais agradáveis, na passada quarta-feira, dia 21, o chefe do departamento de informação da ECA-Rádio Ecclésia, Walter Cristóvão terá sido suspenso da condução do seu “Manhã Ecclésia”, um programa bastante popular onde nas últimas semanas os ouvintes telefonavam para dar a sua opinião e tecer as suas criticas sobre ocorrências que se registaram, recentemente, na capital do país. Registe-se, ainda, que a ECA parece ter se esquecido ou indiferente com as notícias que ostentavam a conferência da CASA, de Abel Chivukuvuku, e outro sobre uma entrevista do antigo Secretario Geral do MPLA e ex-primeiro-ministro, Marcolino Moco, onde terá proferido algumas revelações de paridade entre a Igreja e o Poder. E para que as dúvidas quanto à eventual pouca imparcialidade da ECA, nos últimos tempos, precisamente sobre as pretensas denúncias de Marcolino Moco, que dizer das palavras de D. Francisco Mata Mourisca, durante a conferência de imprensa da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé), onde, a uma pergunta de um jornalista da um órgão internacional, terá acusado Moco de mentiroso porque, segundo parece, uma das denúncias terá sido a existência de uma eventual reunião entre alguns bispos e elementos próximos do Poder para, segundo se crê, moderar algumas eventuais críticas aos eternos louvaminheiros do Poder, além de, por mera coincidência, por certo, estar prevista a entrega de um terreno no Kilambi Kiaxi, para a edificação de uma igreja nesta nova centralidade. Esperemos que tudo não passe de mal-entendidos e que a ECA-Rádio Ecclésia volte a ser aquilo que tanto desejamos para Angola e para os angolanos: um farol do bom Mídia e um claro guia de liberdade. Eugénio Costa Almeida Um embaixador sem medo do medo... 03/14/2012
Com a devida vênia, respigamos do mais recente texto de opinião que Gustavo Costa escreveu no Novo Jornal, com o título "Medo do medo", algumas referências feitas ao desempenho político do embaixador Ambrósio Lukoki, que, ao que julgamos saber, têm a ver com o recente "ping-pong" que ele protagonizou com JES durante a última reunião do CC do MPLA. (...) "Ao objectar essa tendência fúnebre, Ambrósio Lukoki, sempre decidido a dizer o que pensa, tem-no feito com as janelas abertas. Sem tibiezas e contrariando o espírito de resignação, Lukoki tem sido das raras vozes que lá dentro, não se tem coibido de fazer avaliações críticas à forma como tem sido (mal) gerida a distribuição da riqueza nacional. Fá-lo a frente de toda a gente. Que eu saiba,o embaixador de Angola na Tanzânia por causa dessas críticas, não foi lançado à fogueira… Ninguém duvida de que há questões materiais que aqueles que se sentem visados não resolveram, o MPLA não resolveu e que o Presidente, inevitavelmente à beira do seu próprio último ciclo, ao ter gerido mal, deixou muitas “feridas” por sarar"." (...) "Alertar o Presidente para o risco de enveredarmos para apostas desajustadas na estratégia da internacionalização da nossa economia,para políticas sociais erradas, para a manipulação de estatísticas ou para o branqueamento de certas práticas governativas, em lugar de ser um“crime”, deve antes ser visto como um aditivo preventivo à boa governação. É disso, que o Presidente espera dos seus colaboradores. É disso, que a sociedade espera dos nossos políticos e governantes. Sem medo do medo". (Gustavo Costa) No posfácio que Ambrósio Lukoki escreveu para o livro "Maquis e Arredores" de Siona Casimiro (Abril 2011), pode ler-se a seguinte passagem: "O questionamento permanente de onde viemos, quem somos e para onde estaremos a caminhar na construção de uma Nova Angola politicamente poderosa, economicamente viável e militarmente potente, interpela a todos nós, enquanto Angolanos-Cidadãos. O Povo Angolano está mais e mais esclarecido, ciente dos seus direitos e deveres. O papel da sociedade civil deve fazer-se cada vez mais crítico no que concerne a governação de Angola. Eis o fio continuador e, na continuação, é de se sublinhar que O PASSADO IMBRICADO NO PRESENTE SÓ TEM VALOR SE GARANTIR CONDIÇÕES CADA VEZ MELHORES PARA O FUTURO". Reginaldo Silva A salvação política da Nação Angolana 03/13/2012
Começo por louvar a iniciativa política do presidente do Partido de Salvação Nacional e que faz parte da Coligação União de Tendência Presidencial de Angola, quando desafia as organizações político-partidárias a unirem-se em redor de um único candidato presidencial e tendo como base um programa comum de governação. A única forma de derrotar eleitoralmente o MPLA e o seu Presidente é a união de todos os democratas angolanos, em volta de uma frente política comum, que coloca em primeiro lugar os angolanos, melhorando as suas condições de vida, apoiando os empresários e os empreendedores nas diversas actividades da economia, criando emprego, melhorando a educação e incentivando os agentes culturais na preservação das línguas tradicionais e os valores da angolanidade, a qualificação técnica dos nossos quadros, investindo na saúde, habitação social, no aumento da produtividade da agricultura, pescas, na indústria de bens transacionáveis e serviços com base nas novas tecnologias e não esquecendo uma melhor redistribuição das riquezas. A união faz a força, pelo que, a intimidação e os truques do maioritário não serão suficientes para demover, a força da razão dos angolanos, em quererem mudar o regime político vigente em Angola. Todos os Angolanos tem que ganhar consciência, que nestas eleições temos de mudar a nossa atitude para derrubar pelo voto, o despotismo e as arbitrariedades do poder instituído na cidade alta, quando expropria e confisca, não pagando a devida indemnização constitucionalmente consagrada, quando manda partir as casas dos cidadãos e os empurram para tendas na periferia das cidades, para construírem luxuosos condomínios, deixando famílias sem sustento, destruindo as suas lavras e as crianças sem a escola que frequentavam, e com os pais a perderem os seus empregos. É desumano a forma indiferente como o Presidente do MPLA privilegia uma nomenclatura reinante e familiares em negociatas, em detrimento do bem-estar do povo angolano. Acordai angolanos e unam-se a volta de uma frente eleitoral ganhadora, abrangente com jovens, mulheres, estudantes universitários, trabalhadores e empresários, antigo combatentes, desempregados, a igreja, os excluídos socialmente, e apostem num líder que seja candidato presidencial próximo dos oprimidos e com um objectivo de desenvolver Angola de uma forma sustentável. A nossa hora chegou e esta não pode ser a oportunidade perdida. Carlos Lopes O Circulo do Poder 02/23/2012
O Poder não se ostenta, exerce-se. Esta seria, segundo a minha opinião, a observação que melhor definiria a pessoa de José Eduardo dos Santos, mas não apenas ele. Poderia também definir a pessoa de Manuel Vicente, enquanto, foi Presidente da Sonangol. A Petrolífera Estatal é a face do Poder Económico, Financeiro e Exterior de Angola, em certa medida, é a imagem de marca do país. Seguindo esta linha de raciocínio o Presidente da Sonangol é uma espécie de Ministro da Economia, das Finanças e das Relações Exteriores de Angola. Tamanho é o Poder. Questiono-me, se abandonar a Presidência da Sonangol para ocupar uma pasta no Executivo, no fundo, não é uma perda de Poder? Quem tratou com Manuel Vicente, descreve-o, como uma pessoa discreta, afável e um duro negociador, um peso pesado de Angola, coincidência ou não, considero o perfil de Manuel Vicente muito parecido com o do Presidente da República. Não sei se será o Delfim de José Eduardo dos Santos, para uma possível sucessão, o Oráculo da Cidade Alta, é indecifrável, mas são, inquestionavelmente, duas almas siamesas na aparência, ambas conhecem o exercício do Poder, apenas, falta a uma, o exercício da Política para ambas se completarem. O exercício da Política é algo que Manuel Vicente desconhece, pelo menos, na esfera mais intima da oligarquia angolana, a forma, como souber interpretar esta lógica dependerá o seu destino. Por vezes, uma excessiva proximidade ao Núcleo do Poder, a esfera mais intima, pode ser responsável pelo diluir do Poder de quem se aproxima em demasia, a história política de Angola, está repleta de ascensões e quedas meteóricas. A sabedoria com que se gere o espaço e o tempo, é fundamental, principalmente, para quem tem pretensões políticas maiores. Convenhamos, em Angola são várias as figuras com pretensões maiores. Na essência, neste momento, não sei o que significa o novo papel de Manuel Vicente no Circulo do Poder, apenas sei, ser um pré-requisito necessário para chegar ao ponto mais alto. O facto, de se considerarem cenários de sucessão no seio do Poder, de existir uma linha de planeamento, apenas, é indiciador da maturidade política que começa a existir em Angola. Se, de facto, chegamos a maturidade política também seria positivo um exercício de reformulação ideológica ao nível dos partidos políticos. Os dogmas devem ficar no passado porque o futuro pertence-nos. Pedro Van-Dúnem Savimbi 10 anos após a sua morte 02/22/2012
O Dr. Jonas Malheiro Savimbi é considerado por muitos o pai do multipartidarismo em Angola, algo que o partido MPLA nunca esquecerá. Um estadista com este calibre, que por opção fez a luta armada, primeiro contra o colonialismo e depois contra a hegemonia do partido único totalitário em Angola, nas matas e junto ao seu povo, tinha que ser liquidado para que os interesses económicos internacionais e da nomenclatura nacional, prevalecessem em detrimento do bem estar dos Angolanos. A procura de informação na internet e na imprensa sobre o Dr. Savimbi é constante por parte dos Angolanos e estrangeiros, na busca do papel histórico que este revolucionário teve no país e em África. As tentativas frustradas de sonegarem e apagarem tudo aquilo que se relacione com a luta popular liderada pelo Dr. Savimbi, tem sido uma perda de tempo por parte daqueles que temem os seus seguidores, mesmo depois de morto em combate. A esperança dos Angolanos em ano de eleições, reside no aparecimento de uma liderança carismática e motivadora dos anseios legítimos do povo, em viverem com dignidade e serem donos da sua terra. Os seguidores dos ensinamentos ideológicos do Muata da Paz, têm o desafio de colocarem-se junto dos oprimidos, dos que não têm água potável, luz e saneamento básico, saúde, educação e habitação, emprego, justiça social numa democracia encapuçada em que a lei é para inglês ver. Estou convicto, que se o Dr. Savimbi fosse vivo teríamos uma nação reconciliada e próspera, em que os Angolanos estariam sempre em primeiro lugar. Carlos Lopes A Instituição Financeira Millennium BCP acaba de conhecer uma profunda alteração na sua presidência, saí Carlos Santos Ferreira e entra Nuno Amado. Penso que o timing e a mudança eram necessárias, dado o enfraquecimento da Instituição Financeira. Como o próprio Carlos Santos Ferreira reconheceu, muita coisa foi feita para recuperar a solidez do Banco mas ainda pairava um custo/passivo reputacional sobre a Instituição. O maior pecado de Santos Fereira foi entrar numa Instituição Financeira em guerra com o peso de uma figura politizada, algo que, acabou por marcar toda a sua trajectória no Millennium BCP. O sucessor, Nuno Amado, tem no seu Curriculum a Presidência do Totta Santander, o único dos grandes bancos portugueses a apresentar lucros. Creio que Nuno Amado não é uma figura mais omnipresente na Banca portuguesa devido à sombra de Horta Osório, por isso, considero a escolha acertada apesar da situação complexa em que vive a Banca portuguesa sobre o espectro do Euro. É importante que o novo Presidente do Millennium BCP seja imune à influências accionistas, a prioridade é devolver ao Millennium BCP à imagem de grande Banco que perdeu nestes últimos anos, facto bem reflectido na cotação em Bolsa, é necessário que o Banco volte a ser uma máquina de fazer dinheiro, algo apenas possível se existir uma boa gestão. Continuo a pensar que a aposta para recuperar a solidez financeira é a concentração accionista, o Banco deve ter como base grandes accionistas de referência, portanto, o caminho do reforço accionista da Sonangol no Millennium BCP parece-me correcto, no entanto, não é imune de riscos. A percepção de que é necessária uma maior concentração accionista não passa desapercebida ao próprio Banco, não creio que seja inocente o rumor que corre, que indica uma eventual entrada de um novo accionista chinês na estrutura do Banco. A cotação bolsista, o reforço de capital e a necessidade de liquidez proporcionam um ambiente propicio a uma nova entrada. A estrutura de poder do Millennium BCP poderá dividir-se entre capital angolano e chinês, diga-se, em abono da verdade, a influência angolana já se faz sentir em todos os órgãos do Banco. É uma consequência natural, não faria sentido ser o maior accionista e não ter capacidade de influência/poder no Banco, mas este alegado poder não deve colidir com o trabalho da nova administração. A prioridade dos accionistas é velar por uma boa governação da Instituição, somente, assim poderá ter força para absorver os impactos e as incertezas futuras. Os impactos, são os riscos de exposição da Instituição, nomeadamente, à divida grega, com uma eventual reestruturação ou um default no horizonte, as imparidades já se fizeram sentir na mais recente apresentação de Resultados do Banco, depois há que considerar uma eventual saída da Grécia do Euro e as consequências que tremendo desastre terá sobre a economia portuguesa, sobretudo, no seu sistema financeiro, entenda-se, Bancos. As perspectivas são negativas, tudo o indicia, somente, os mais fortes irão sobreviver. Miguel Amaral |

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