_Tem sido quase um “case study” em Angola que certas personalidades que começam a se evidenciar são cooptadas para cargos administrativos governamentais e daí para… parte incerta.

Mas vezes para postos honoríficos diplomáticos fora de zonas de influência, outros acabam em obscuros administradores de empresas públicas ou de parcerias público-privadas ou na docência e com passagens muito subtis pelo mundo da política, com periódicas entrevistas.

Dispenso-me de nomear nomes, até porque eles andam sempre nas bocas das páginas sociais. Além de que poderia ser processado por vituperação, já que aquilo nunca acontece…

Agora parece ter calhado este imbróglio ao todo poderoso e competente, reconheça-se, homem-forte do mundo petrolífero lusófono, Manuel Vicente, com o convite do senhor Presidente (será o candidato do MPLA à sua sucessão?) José Eduardo dos Santos para Ministro Estado e da Coordenação Económica, depois, espanto (pelo menos quem lê a comunicação social fica com essa ideia, “de espanto”) ter sido exonerado do cargo de presidente da Sonangol.

Como se fosse possível coabitar as duas funções. Enfim…

A maioria dos analistas, nacionais e internacionais, apontam Manuel Vicente, como uma estrela em ascensão e possível futuro nº 2 de um Governo do reeleito – a minha utopia não dá para mais – Eduardo dos Santos na sua segunda – para alguns, que para mim, é (será) terceira o que colidiria com a Constituição (seja a de Fevereiro de 2010 ou a anterior) – eleição presidencial e possível sucessor, devido ao cargo de vice-presidente, numa eventual resignação do presidente.

Ou seja, todos prevêem que Eduardo dos Santos deseja preparar uma “secessão” – e eu que julgava que estávamos numa República e aí não há sucessões ao contrário da monarquia – serena, calma e discreta, evitando assim, alguns eventuais sobressaltos que a sua austera e imaculada figura pudessem criar ao sair da Cidade Alta.

Esperemos que isto se concretize e que a nomeação de Manuel Vicente para um lugar de enorme destaque na oligocracia governativa nacional não seja, antes, uma forma de o regionalizar para outros arrendais.

Se nos recordarmos ao que tem acontecido a outras figuras gradas que são colocadas como Governadores da Província de Luanda e que depois esfumaram por um éter ignoto ou incógnito…

Eugénio Costa Almeida
 


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